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A construção da jornada interna e externa do protagonista

  • Foto do escritor: Carol Santoian
    Carol Santoian
  • 14 de set. de 2021
  • 4 min de leitura

O Diabo Veste Prada

Você sabe o que é jornada interna e interna do protagonista? Não?


Então seus problemas acabaram!


Já prepara o caderninho porque hoje eu vou te contar os detalhes destes dois tipos de jornadas que podem te ajudar MUITO no desenvolvimento do roteiro.


Mas, antes de qualquer coisa, eu preciso dizer pra vocês que este post será focado na narrativa clássica. E, quando estou falando sobre este tipo de narrativa, me refiro também aos principais autores que nos ajudaram a estruturá-la e compreendê-la:


Aristóteles com sua Poética, Joseph Campbell com o Herói de Mil Faces, Syd Field, Christopher Vogler e Robert Mackee.





Tá, Carol... Mas por que você está citando todos esses livros?


Para que vocês percebam que nada do que eu vou falar aqui é novo. Desde Aristóteles já temos um tipo de narrativa que tem como principal objetivo ensinar algo, passar uma moral.


E vocês já vão entender como isso se relaciona com Jornada Interna e Externa.



As Origens: Aristóteles




Em A Poética, Aristóteles estabelece as bases de tudo que usamos até hoje.


Aqui, no caso, ele está analisando as tragédias - e para ele, esse tipo de arte teria como principal finalidade (télos) provocar a catarse - que é uma purgação que o público sente através do que foi representado.


Para que a audiência alcançasse a catarse, os heróis ingressavam em uma jornada trágica a partir de um erro (também chamado de hamartia).


Mas por que precisamos deste erro trágico?


Aristóteles nos responde:


“(...) fica a princípio evidente que não se devem apresentar homens excelentes que passam da prosperidade à adversidade - pois não desperta pavor nem compaixão, mas repugnância.”


Ou seja, ninguém vai aprender nada se você pega uma pessoa excelente, sem nenhum erro e a coloca em uma jornada trágica.


Então, Aristóteles continua:


“(...) nem homens maus que passam da desventura à prosperidade - isso é o que há de menos trágico, pois nada possui do que convém ao trágico: com efeito, não suscita nem benevolência, nem compaixão, nem pavor”


Mas então, como deve ser esse protagonista, esse herói trágico, para que a gente tenha a catarse no final? Colocando de outro modo: como precisa ser esse herói para que a gente aprenda através da jornada dele?


Aristóteles nos responde:

“A situação intermediária, ou seja, aquela do homem que, sem distinguir muito pela virtude e pela justiça, chega à adversidade não por causa de sua maldade e de seu vício, mas por ter cometido algum erro

Ou seja: hamartia, que é uma falha cometida pelo herói trágico.


Por exemplo, em Macbeth sua falha é a ambição, a sede de poder, é o que movimenta o enredo e leva à sua queda.



Fonte: Wikimedia Commons


O Monomito e a Jornada de amadurecimento


Já quando a gente vai para os anos de 1949, quando O Herói de Mil Faces é lançado, nós vamos ter Campbell validando a importância dos mitos.


Sabe aqueles contos de fadas, as histórias mitológicas? Pois é, Cambpell vai perceber que em todas essas histórias seguem uma mesma estrutura porque todas possuem um fim - (aí o telos novamente!) - que é o de passar um ensinamento, uma moral através de uma jornada heroica que servirá de exemplo para nós.


Essa jornada heroica é uma jornada de amadurecimento.


Vamos ver o que Campbell vai falar:

“O final feliz do conto de fadas, do mito e da divina comédia do espírito deve ser lido, não como uma contradição, mas como transcendência da tragédia universal do homem. O mundo objetivo permanece o que era; mas, graças a uma mudança na ênfase que se processa no interior do sujeito, é encarado como se tivesse sofrido uma transformação (...) A tragédia é a destruição das formas e do nosso apego às formas; a comédia, a alegria inexaurível, selvagem e descuidada, da vida invencível. (...) É próprio da mitologia, assim como do conto de fadas, revelar perigos e técnicas específicos do sombrio caminho da tragédia à comédia.”

Ou seja, Campbell destrincha a jornada do herói (monomito) em que UM herói passará por uma jornada de amadurecimento e todos os outros ganharão com sua experiência - porque ele volta para o seu mundo comum transformado, para ensinar o que aprendeu.


Temos aí alguns conceitos importantes da narrativa clássica: ela possui finalidade (porque é teleológica) e, por isso, causalidade, ela passa uma moral, um ensinamento e assim, precisa ser simples, didática.


A Jornada Interna e Externa


Tá, Carol, mas por que você falou, falou, e até agora não falou de jornada interna e externa...


Como não? Se vocês forem prestar atenção nos filmes com maior alcance de público, nos filmes de Hollywood que fizeram mais sucesso, todos eles seguem essa jornada:


Você tem um protagonista - nosso herói ou heroína

Que tem uma falha de caráter - jornada interna

Que possui um objetivo - jornada externa

Que só poderá alcançar seu objetivo (jornada externa) quando ele for transformado (jornada interna)


Mas existe algo de muito importante nisso, que é: para que exista uma transformação interna, você não pode construir qualquer jornada externa.


O plot precisa, necessariamente, forçar a transformação da jornada interna.


E aí está a mágica (e a dificuldade) da narrativa clássica. Você não fica pensando “ah, meu protagonista é irresponsável. E qual a jornada? Hm… hmmm. não sei… preciso esperar a inspiração, vou acender um incenso…”


Não! Você vai pensar da seguinte maneira: se seu protagonista é irresponsável, você precisa achar um plot que seja exatamente o que ela precisa pra superar essa falha. É nesse mecanismo que deve estar seu pensamento!


Para entender ainda mais sobre isso, dá o play no vídeo que eu te conto tudo com exemplos bem didáticos para fixar :)



 
 
 

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